Conto para o desafio “Labirintos” na Sociedade INK.
Avner acordou, mas continuou deitado na cama. Ainda estava escuro, mas ele tinha que ir para a escola. Logo no sábado, pensou.
Ele não tomara banho, não acendera uma luz, e não comera nada. Ele, como em todos os sábados, acordava atrasado, pois seu despertador ficava sempre desligado. Ele era o único que fazia isto. Seu irmão ligava o computador, a TV e as luzes da casa. Seus pais então…
Ele estava na faculdade, e como quase toda faculdade normal, tinha aulas no sábado, e ele não podia descansar. Ele tinha arranjado uma casa, e finalmente ele iria economizar o dinheiro do restaurante, pois ele não comia em casa.
Ele se levantou relutante, e seu corpo de 19 anos mostrava que ele estava um pouco fora de peso. Seu nariz, um pouco maior do que o do resto das pessoas, mostrava o porque de alguns comportamentos estranhos. Ele não tinha uma marca em seu corpo. A única marca que ele tinha, fora feita nele aos oito dias. Seus colegas diziam que ele era louco, pois ele não comia quase nada do que eles comiam. Aliás, ele também não comia na escola, pois a única coisa que tinha por lá eram os famosos mistinhos e cachorros-quentes e alguns sanduíches.
Ele não pegara o ônibus, evitara. A faculdade não ficava tão longe de casa, ele poderia ir andando. Ele não era o único. Sua amiga, Sima, fazia o mesmo. Alguns chamavam os dois de loucos. As vezes, Avner ia comer na casa de Sima, pois na casa dela, ele poderia comer livremente, sem se preocupar com nada. O pai de Sima, Jacob, fazia questão que o amigo da filha ficasse por lá, e as vezes, ele participava com eles da festa de Fim de Ano, ou do dia do descanso.
Naquele dia, Sima não iria para a faculdade, ela avisara Avner antes, pois seu pai estava doente. O rapaz passaria na casa de Sima antes. Ele usava o símbolo de que tinha alguém junto com ele. Ao ele virar uma rua antes da casa de Sima, dois rapazes de bicicleta pediram informação a Avner. Ele, educadamente, virou e fora responder aos rapazes. Então ele pode ouvir.
- Fica quieto, seu filho de uma vadia. ‘Tá vendo aquele labirinto, entra lá e vai indo até a gente acha que ‘tá bom. A gente “estamos” armado e vai atirar se tu não fazê o que “nóis” pede.
Ele foi, e aguardou a ordem dos assaltantes. Eles entraram logo em seguida, e quando chegaram começaram a espancar o coitado.
Eles chutavam seus pés, suas pernas, seus braços e sua barriga.
- Fica quieto, e não grita!
E ele ficou. Um dos rapazes, tirou o pequeno arco da cabeça de Avner, e começou a socar seu rosto, cada soco mais forte que o outro, equanto o outro rapaz continuava a chutá-lo, mais forte.
- ‘Tá vendo! É pra tu aprender. ‘Cê tem que parar com essas merdas, ninguém vai vir te salvar não, seu idiota. Do que adianta tu usar isso na cabeça… Se ferrou, seu merda.
Avner chorava baixinho, e levou as mãos ao peito, e começou mentalmente a rezar. O Senhor é o meu pastor e nada me faltará…
Os dois rapazes estavam cada vez mais excitados com aquilo. Espancar um rapaz que era seguidor do que eles mais odiavam. Eles não cresceram com isso, mas aprender sobre isso na escola quando eles eram menores fez o sentimento crescer. Eles tinham tatuagens com o símbolo nazista, e eles mostravam o que eles realmente queriam.
Avner continuava a rezar… Ainda que eu ante pelo vale da sombra da Morte, não temerei mal algum porque Tu estás comigo…
- Vai logo, Caim, faz o que tu quer fazer logo.
Avner parou de rezar e olhou para o rapaz que se chamava Caim. Ele tinha um nome que era de sua crença, e o negava.
A mãe de Caim se chamava Sarah, e naquele momento ela estava estudando a Torah. Caim também tinha o sangue judeu correndo nas veias. Avner e Caim tinham o sangue judeu correndo nas veias. Mas Caim o negava. Ele não queria ser como a mãe, que seguia as leis, que era religiosa. Pra ele, se ele fosse seguir alguma lei, ele seguiria a lei de Sodoma. E era o que ele queria fazer. Era o que ele estava indo fazer agora.
Caim abriu o cinto de Avner e abaixou as calças dele, e tirou-lhe a cueca, e depois tirou o resto de sua roupa, deixando o rapaz totalmente nú.
- Olha só, Ricardo – disse Caim – ele é circuncidado! – e ambos riram. Caim iria tentar esconder o máximo que podia de Ricardo que ele também, ao oitavo dia de vida, fora circuncidado. Ele seguira a religião até seus 10 anos, quando um colega lhe apresentou os prazeres mundanos. Ele ainda se lembrava de dizer ao colega que era contra a Lei, e o colega dizendo que ninguém, nem mesmo Deus iria ver.
Caim colocou Avner deitado de barriga para baixo no chão, e abrira o ziper de sua calça. Quando ele chegou perto do corpo do judeu, algo aconteceu. Avner estava pedindo proteção, e ela veio. Caim olhou para o lado, e viu um homem enorme, totalmente vestido de branco segurando uma espada. Caim ficou parado, e se levantou alguns segundos depois.
- Fora! – gritou o homem com a espada. Caim e Ricardo pegaram as suas bicicletas e correram. Um outro homem, correra atrás deles, e na correria, Caim e Ricardo foram atropelados e mortos na hora.
O primeiro homem ficou cuidando dos ferimentos de Avner, enquanto vestia nele a roupa. Avner, conseguiu se levantar com muito esforço, e o homem colocou o kipá em sua cabeça. Avner murmurou algumas palavras em agradecimento ao homem, mas não conseguia andar.
O homem pegou sua espada e tocou no coração de Avner, e seus ferimentos foram curados na hora, dando uma força maior ao rapaz.
- Vá. – disse o homem – O pai da sua escolhida precisa de você. Entregue isso a ele assim que chegar lá.
O homem entregou a Avner uma corrente de ouro, com uma estrela de David. E Avner foi.
Assim que chegou a casa de Sima, contou tudo à Jacob, e lhe entregou a corrente. Jacob fora curado das doenças na hora, e chamou a filha. Assim que ela chegou ao aposento do pai, ele lhe mostrou a corrente dourada. Era a prova que Sima pedira. Avner era seu escolhido. Ela contou ao rapaz do que tinha pedido para Deus como uma prova, e Avner contou pra ela o que o homem lhe disse.
Três anos depois, os dois estavam casados. Um ano após o casamento, Sima dá a luz a um filho. E decide chamá-lo de Jacob, por, além de ser o nome do avó do menino, significava protegido.